"As obras de Suas mãos são verdade e justiça; Imutáveis os Seus preceitos; Irrevogáveis pelos séculos eternos; Instituídos com justiça e eqüidade." - Salmo 110, 7-8

sábado, 10 de dezembro de 2011

A ressurreição segundo a fé da Igreja

Fonte: Visão Cristã - 07/12/2011


Dom Henrique Soares da Costa
Depois de termos visto a ressurreição no Novo Testamento, vejamos um pouco como a Igreja desenvolveu sua fé e esperança.

A convicção da Igreja antiga era esta: aqueles que morrem em Cristo estarão com Cristo após a morte. Tertuliano, no século III, afirmava de modo simples e profundo: “Nós cremos que Deus nos ressuscitará por meio do seu Cristo e nos tornará incorruptíveis, impassíveis e imortais”. É importante observar que os primeiros cristãos não se preocupavam tanto com o modo da ressurreição; não se perguntavam tanto se alma é ou não imortal. Nada disso! A preocupação era outra: estar com Cristo: eu estarei com Cristo e nele serei eu mesmo, plenamente feliz! São Justino, já no século II, tem uma frase estupenda: “Não penses que são cristãos aqueles que dizem que não há ressurreição dos mortos, mas dizem que no momento da morte as almas são recebidas no céu!” O que é que Justino deseja afirmar com estas palavras: é cristão não aquele que crê na imortalidade da alma. Isto os gregos pagãos e as religiões antigas pagãs também afirmavam! Cristão é o que acredita na ressurreição, ou seja, é quem afirma que nós estaremos com Cristo, em todo o nosso ser, numa vida totalmente transfigurada! O homem sobrevive à morte unicamente para estar com Cristo, para participar da sua vida ressuscitada, para estar na sua glória! Para o cristão nem é possível pensar um além sem Cristo: ele é nosso Além, nossa vida, nossa plenitude, nosso paraíso. Aqueles "paraísos" daquela novela "A Viagem", do filme sobre o Chico Xavier e outros mais são completamente pagãos e falsos!

Santo Irineu, também no século II, grande adversário dos hereges gnósticos, que negavam a ressurreição do corpo, insistia que o cristão alcança a salvação em todo o seu ser porque está ligado a Cristo, morto por nós, ele que virá na glória do Pai para nos ressuscitar e recapitular todas as coisas em si mesmo: é somente em Cristo que temos a imortalidade verdadeira e a incorruptibilidade! Tertuliano afirmava sem meias palavras: “A esperança dos cristãos é a ressurreição da carne. Somos cristãos por esta fé! Quem fala somente em alma imortal fala de uma ressurreição pela metade!” Belo Tertuliano! É cristão somente quem crê na ressurreição! Quem crê em reencarnação, rompe com a fé do Cristo, esvazia a fé cristã! Renega nossa esperança! E Tertuliano explica: “O nosso corpo não se torna outro, mas outra coisa. Ressuscitará, pois, realmente a carne: toda ela, a mesma e intacta! E isto graças ao fidelíssimo Mediador de Deus e dos homens, Jesus Cristo, que restituirá Deus ao homem e o homem e Deus, o espírito à carne e a carne ao espírito”. Escutemos ainda Justino: “Que é o homem, senão um ser composto de uma alma e um corpo? Será que a alma é o homem? Não! Ela é a alma do homem. Será, então, que o corpo é o homem? Não! Ele é chamado corpo do homem. Se, pois nenhuma destas duas coisas é por si mesma o homem, mas chama-se homem o composto de ambas, e se Deus chamou o homem à vida, então não chamou uma parte, mas o (homem) todo é que chamou”. E só mais uma vez Tertuliano: “Se a carne não houvesse de salvar-se, o Verbo de Deus não se teria encarnado. Nossos corpos, depositados na terra e nela dissolvidos, ressuscitarão a seu tempo, porque o Verbo de Deus dar-lhes-á a graça de erguerem-se para a glória de Deus Pai”.

Então, que fique bem claro: a Igreja sempre esperou na ressurreição: o homem, pela força do Espírito do Cristo ressuscitado, sairá da morte totalmente transformado, completamente configurado ao Senhor Jesus glorioso! Eis alguns textos de documentos da Igreja; bastam dois, como exemplo:

O Concílio Lateranense IV afirma: “Todos ressurgirão com os corpos de que agora estão revestidos, para receber, de acordo com suas obras boas ou más, uns, a pena eterna e outros, a glória eterna com Cristo”. Também o Concílio de Lião II: “A mesma sacrossanta Igreja romana crê firmemente e com firmeza afirma que, no dia do juízo, todos os homens comparecerão, com os seus corpos, ante o tribunal de Cristo e prestarão contas de suas ações”.

Se quisermos resumir a fé da Igreja na ressurreição, diremos o seguinte: (1) A ressurreição é um evento escatológico, ou seja, terá lugar no Último Dia, na Vinda de Cristo, no Dia do juízo, também chamado de fim dos tempos. (2) A ressurreição é um evento universal: ressuscitarão todos os homens ou todos os mortos. Tal ressurreição fundamenta-se no Novo Testamento, que espera uma ressurreição de justos e pecadores Já estudamos isto! (3) A ressurreição envolve todo o nosso ser. O conceito de ressurreição inclui uma identidade somática: os mortos ressuscitam com seus próprios corpos. Isto não significa que ressuscitaremos como somos atualmente. Seremos nós, com nossos corpos, mas completamente transformados em glória! Como Cristo, que era o mesmo, mas de um modo totalmente diferente. Lembram-se como os discípulos tinham dificuldades de reconhecê-lo?

Espero que tenha ficado claro qual é a nossa esperança: atravessando a morte, sermos totalmente, em todo o nosso ser, transformados em glória à imagem do Cristo glorificado! Como será isso? Pela força do seu Espírito Santo, o mesmo que o ressuscitou dos mortos e que já recebemos no Batismo. 

2 comentários:

Príncipe Lord Nicus disse...

¡Feliz Natal, Sara Rozante e familia!

Sara Rozante disse...

Hola, Príncipe Lord Nicus! Gracias!
Deseo que hayan tenido una feliz e santa Navidad.

Ad Jesum per Mariam,

A autora

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Filha da Santa Igreja Católica Apostólica Romana.