sexta-feira, 2 de março de 2012

Bispo de Ilhéus e o regime opressor de Cuba

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Dom Mauro Montagnoli
Senhor, ouví o clamor do vosso povo
Vendo a TV me deparei com uma reportagem sobre a questão do acesso do povo cubano à internet, que é zero.
Por quê será, meu Deus, que ainda persiste um regime de repressão à livre expressão das pessoas e ao direito fundamental de cada um ser respeitado na sua dignidade?
Por quê será que há temor daqueles que tomam o poder para partilhar esse poder com o povo que diziam que defendiam, mas que se torna sua propriedade e seu vassalo?
Tantas vidas foram sacrificadas para que afastassem os Faraóis de todos os tempos e depois esse esforço de libertação se torna instrumento de opressão das pessoas?
Por quê será isso, meu Deus? Quem lutou pela libertação do povo hoje se torna seu opressor? Até quando essa situação vai perdurar? Apesar de todos os esforços para uma maior abertura para a libertação do povo ainda se persiste na opressão?
Quem se dispõe a lutar contra o regime opressor é considerado “não pessoa”. Qualquer um pode ser preso com a alegação que poderá cometer algum delito futuramente. Onde estamos? Como pode acontecer isso? Ninguém pode ser acusado de um crime que não cometeu. Não é um absurdo?
A Igreja Católica Apostólica Romana tem feito todo esforço para conseguir junto ao governo cubano o respeito à dignidade da pessoa e à liberdade de cada um de ir e vir e se expressar. Ela tem sofrido muito repressão nas pessoas de seus pastores, bispos e de agentes de pastoral. Mas, ela continua firme no seu propósito de anunciar a libertação que Jesus nos trouxe na sua crucifixão e ressurreição. O Papa Bento XVI no próximo mês de março, nos dias 26 e 27, estará em visita a Cuba com o objetivo de levar o anúncio do Evangelho da vida, da santidade, da verdade, da justiça, do amor e da paz.
É todo o esforço da Igreja Católica para chamar a atenção dos dirigentes do país para o respeito dos direitos individuais fundamentais para a verdadeira convivência social salutar e fraterna.
Até quando, Senhor, esses ouvidos estarão fechados para o clamor do povo sofredor?
Temos a confiança que nos garante a Palavra de Deus e rezamos com Maria, no magnificat: “A minha alma engrandece o Senhor, e meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador... Ele mostrou a força de seu braço: dispersou os que tem planos orgulhosos no coração. Derrubou os poderosos de seu tronos e exaltou os humildes...” (Lc 1,47.51-52).
Os cristãos têm o dever de se inteirar dos fatos e se solidarizar com o povo cubano que sofre todo tipo de opressão. Não se concebe alguém que crê em Jesus Cristo e possa dar apoio a um regime que oprime as pessoas e não respeita os direitos fundamentais da pessoa humana.
“Em ti espero, Senhor, tu me responderás, Senhor meu Deus. Eu disse: “Não zombem de mim, contra mim não se ensorbebeçam, quando meu pé vacila.”... Não me abandones Senhor, meu Deus, não fiques longe de mim; vem depressa em meu auxilio, Senhor, minha salvação”. (Salmo 38 (37) 16-17.22-23)
Sou solidário com os cubanos que combatem e denunciam um regime tremendamente opressor e que não respeita os direitos humanos de expressão e de locomoção.
Confiemos no Senhor porque Ele é bom e generoso.
Rezemos pelo povo cubano.
Ilhéus, 10 de fevereiro de 2012
Fonte: CNBB

Bispo de Assis e a causa abortista

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Dom José Benedito Simão

“Eu vim para que todos tenham vida,
e a tenham em abundância” (Jo 10, 10).


            Na condição de bispo da Igreja de Jesus Cristo, fui enviado por essa mesma Igreja a essa Igreja particular da Diocese de Assis, a fim de prestar os devidos serviços em favor da obra evangelizadora para o bem dessa porção do povo de Deus, segundo as orientações da sã doutrina e do direito eclesial constituído da referida Igreja. Por isso,  escrevo aos cristãos católicos autênticos e também aos pseudos católicos que utilizam a Igreja como instrumento de oportunidades. À todos tenho algo muito importante a dizer a respeito da doutrina eclesial sobre a base da vida.Como é de praxe, aos católicos mais interessados, recomendo uma leitura básica, porém atenta, do Catecismo da Igreja Católica. É necessário que os cristãos católicos conheçam melhor a sua Igreja. O grande problema atualmente, é que muitos católicos ou que se dizem católicos, não conhecem a Igreja, quando não a manipulam para extrair vantagens próprias.


Diante da constatação dos não poucos ataques à vida que constantemente vem à tona por parte de pessoas e entidades de todos os gêneros, em nível nacional e internacional, através dos recursos das diversas modalidades de comunicação empregadas na defesa da cultura de morte, como bispo dessa Diocese, confesso que ultimamente estou muito preocupado diante das atitudes de grupos e pessoas que revelam-se católicos, mas que demonstram pouco ou nenhum conhecimento da doutrina que dizem pertencer, assim como quanto a participação de vida eclesial, quando não existe,  pouco deixa a desejar.  A partir dessa preocupação, em resposta aos tantos ataques aos direitos à vida humana que ultimamente têm chegado ao meu conhecimento, venho a público em defesa da pessoa do inocente indefeso, ainda na condição de zigoto, embrião e feto. Dirijo-me ao Povo de Deus da Diocese de Assis com essa reflexão sobre a vida, que apesar de sua brevidade, a mesma encontra-se totalmente fundamentada nas fontes da fé e na razão humana. O que lhes escrevo, mais do que eu, é o que a Igreja pensa e reconhece como verdade.


1.  A história da vida.


O aparecimento do ser humano na obra da criação constitui um ponto de chegada. Nesse momento porém, inicia-se a história propriamente dita, que é, em última análise, a história da vida, de seu desenvolvimento, de sua vitória sobre os obstáculos. A vida tende para a plenitude.
Também a vida de cada ser humano é um percurso desde o seu início com a “semente da vida”. O óvulo fecundado já possui identidade. Já é uma pessoa portadora de direitos, porém não de deveres. Já é totalmente um ser humano, pois, ele não virá jamais a tornar-se humano, se não o for desde então. (cf. AAS 66 (1974) p. 738, nn. 12 e 13). Do ponto de vista físico e do ponto de vista espiritual, contém toda a potencialidade para o seu desenvolvimento. É a maravilha do código genético.
O embrião não é parte integrante do corpo materno, mas membro da espécie humana. Não é um simples organismo biológico, mas um novo sujeito de direitos. É uma vida em evolução. É um fim e não um meio. Possui dignidade. A diferença entre o embrião e a pessoa já nascida, situando-se no mundo como criança, adolescente, jovem, adulto e ancião, deve-se a nutrição e ao tempo.
A vida constitui o fundamento mais profundo da ética. O ser humano, ao tomar consciência de sua presença no mundo, se percebe como alguém responsável por um dom recebido, isto é, responsável pela sua vida e pela vida de outros seres, sobretudo, do ser humano.


2.  A vida é um dom sagrado.


Deus é o Ser Vivo por excelência. Não só possui a vida em plenitude, mas é a própria fonte da vida. Ele vive pelos séculos dos séculos (cf. Ap 10,6; 15,7). No areópago de Atenas, Paulo ao anunciar o Deus verdadeiro aos pagãos, afirma: “N`Ele vivemos, nos movemos e existimos” (At 17, 28). Jesus afirmou que “o Pai possui a vida em si mesmo” (Jo 5,26). A história da vida começou com um sopro divino sobre a matéria (cf. Gen 2,7). A vida é pois o primeiro dom de Deus. Toda vida é participação na vida divina. Nós vivemos porque um sopro divino nos tornou vivos. Deus, que é a fonte da vida, gravou no coração humano e confirmou com sua revelação este mandamento: “Não matarás!”(Ex 20,13). Trata-se do dever de respeitar e promover a vida, ainda que incômoda, frágil ou deficiente.


3.   Atitudes paradoxais diante do dom da vida.


            A existência humana está cheia de contradições sobretudo diante do dom da vida. De um lado, temos o exemplo de mulheres que exultam de encanto e alegria quando percebem que receberam o dom da maternidade. Exultam de encanto e alegria quando tomam em seus braços a criança recém-nascida. Temos o exemplo de pessoas que, cada dia, se consomem para salvar vidas em perigo. Exemplos de pais que acolhem com carinho a vida que nasce com deficiências graves e vai durar poucas horas ou semanas. A mídia anuncia nomes de pessoas que se sacrificam, dia e noite, para salvar vítimas de tragédias de toda a espécie. Anuncia também descobertas da ciência genética destinadas a melhorar a qualidade da vida e a prolongá-la. De outro lado, existe também a postura daqueles que abandonam os filhos recém-nascidos ou destroem a vida antes do nascimento. Aqueles que destroem a vida através da violência, injustiça e guerras.Aqueles que fazem campanhas em favor do aborto e de outras formas de atentados contra a vida. Tudo isso é conseqüência da grande desorientação no campo da moral. Existem ameaças hediondas, que exigem uma tomada de posição em favor do direito à vida de nossos nascituros.


• Há um programa internacional, que se encontra elaborado no “Relatório Kissinger”, preparado pelo Conselho de Segurança dos Estados Unidos da América em 1974 e mantido secreto até 1989. Neste relatório, que trata de política demográfica, planeja-se que para manter a dominação econômica do primeiro mundo sobre os paises do terceiro mundo seria indispensável limitar o crescimento demográfico de 13 paises-chaves, entre os quais é citado o Brasil, e como meio mais eficaz para este controle demográfico é indicada a legalização do Aborto. Tudo isto é claramente uma ameaça e uma afronta à nossa soberania nacional. Nos últimos vinte anos, algumas fundações norte –americanas como a Ford, McArthur e Rockfeller têm financiado uma forte campanha contra a vida. Tal promoção, efetiva-se através de parcerias estabelecidas com diversas ONG’s espalhadas por todo o Brasil, que investem na proliferação de idéias e programas favoráveis ao aborto na sociedade. Calcula-se que devem entrar anualmente no Brasil, cerca de US$ 20.000.000 (vinte milhões de dólares), para o sustento do trabalho destas ONG’s. Dentre estas, destacamos as seguintes:


 CFÊMEA (Centro Feminista de Estudos e Assessoria)
Entidade que monitora e acompanha todos os Projetos de Lei que tramitam no Congresso a favor do aborto, esterilização, anticoncepção e os assim chamados “direitos sexuais e reprodutivos” e “questões de gênero”;


 ANIS (Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero)
Entidade que planejou e acompanhou todo o processo da Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF 54)  para que o Supremo Tribunal Federal (STF)  libere o aborto em caso de anencefalia;


 CDD (Católicas pelo Direito de Decidir)
Entidade oportunista, que de católica só usurpam o nome, conforme Declaração da Conferência Episcopal dos Estados Unidos da América. O propósito da atuação destas “falsas católicas” é confundir a opinião pública e a mídia, ao investir na difusão da notícia de que existem setores da Igreja favoráveis ao aborto. Calcula-se que elas recebam cerca de US$ 600.000 (seiscentos mil dólares) por ano para as suas atividades.

• As ameaças contra a vida nascente demonstram intensificar-se para os próximos anos. É sintomática a vontade política dos governantes mundial que respondem por certas corporações e fundações multinacionais, quanto ao seu investimento em convencer a opinião pública que o aborto é uma questão de saúde pública, que legalização do aborto é útil e necessária para a nação brasileira, sobretudo em favorecimento dos mais pobres. Comprovadamente, a visão funcionalista da  Organização das Nações Unidas = ONU (visão que compreende e procura resolver os problemas sociais sempre a partir dos efeitos de nunca das causas)  também trilha neste caminho em relação à questão demográfica do mundo, querendo impor-se ideologicamente à todas as nações. A questão da pobreza se resolve com uma política concretamente voltada à distribuição justa e solidária dos bens de produção em favor dos mais desfavorecidos, e não com a implantação do aborto legal.  A descriminalização do aborto corresponde à discriminação dos pobres, legalização do homicídio decretado aos inocentes indefesos, uma espécie de “nascituricídio”, é o inicio para descriminalização da eutanásia e de tantos outros atentados à vida humana, que em outras palavras, significa legalização do assassinato às diversas situações e condições da vida humana.


4.  A defesa e a promoção da vida são valores suprapartidários e suprareligiosos.


Como a vida é dom fundamental e sagrado, cada pessoa deve ser um servidor da vida, da  vida sua e da vida de qualquer ser humano. Servidor da vida que apenas está se iniciando e também da vida em desenvolvimento. Servidor da vida que nasce plena e forte, mas também servidor da vida que nasce frágil e com defeito. Servidor da vida em seu início, mas também servidor da vida que está se aproximando de seu fim natural. Servidor e defensor da vida devem ser os agentes do Estado de direito, pois a essência do Estado é a defesa e a promoção da vida. A defesa da vida é um valor suprapartidário, no sentido de que deve inspirar qualquer política que esteja a serviço da pessoa humana e da sociedade. É também um valor suprareligioso.  A inviolabilidade da vida humana, desde o seu início até o seu fim natural, é uma questão de direito natural. Os cristãos encontram em sua fé um motivo a mais para defender esse direito natural. Não se trata pois de impor à sociedade ou a Estado laico uma convicção religiosa, mas de levá-lo respeitar um  direito do ser humano. A Igreja, enquanto instituição da sociedade civil, não só pode mas tem também o dever de assim crer e agir.


5.  A Igreja, Povo da Vida e pela Vida.


A Igreja faz parte da novidade que a ressurreição de Cristo provocou na história. Ela é o povo da vida e pela vida. O Ressuscitado é o Vivente. Jesus morreu e ressuscitou para que todos tenham vida em abundância. Por isso, a Igreja jamais será contra a vida.Se o fizesse, seria infiel à sua origem, à sua natureza e missão. A sua doutrina contra a prática do aborto, inclusive dos anencéfalos, contra o uso de células embrionárias para  a pesquisa científica, contra a eutanásia, além de ser a defesa de um direito natural é também a conseqüência daquilo que ela é: Povo da vida e pela vida. Chamar de fundamentalismo, de golpismo, de machismo, de atraso, de atitude anti-científica, a defesa corajosa que a Igreja faz da vida é inverter as coisas. É chamar o bem de mal e o mal de bem. Quando isso acontece, a sociedade entra em crise moral e começa a se destruir a partir de dentro.


                  Fiéis ao Evangelho da vida, exorto o povo de Deus em Assis que intensifique todo tipo de ação educativa em favor da vida e seu acolhimento nas várias pastorais,  confrontando a mentalidade antinatalista infiltrada também em nossas comunidades e organismos, pois ela é a porta de entrada da mentalidade abortista, (Cf. EV 13). Várias nações, como Argentina, Costa Rica, Nicarágua, Filipinas, México etc. nos dão exemplo de posição pública antiabortista, apesar da pressão que também sofrem por parte das Organizações e Fundações multinacionais. Recentemente temos o exemplo da Hungria, nação que vem do sistema socialista científico, com base nos avanços das ciências sanitárias moderna, optou constitucionalmente em se opor ao aborto. Tudo isso nos mostra, que a questão do aborto, extrapola os níveis ideológico e religioso, não é uma questão de direita ou esquerda, conservadora ou progressista, capitalista ou socialista, é uma questão de reconhecimento do valor inegociável, indiscutível, sobre a vida humana. A vida da pessoa humana vale por si mesma, é um valor humano incondicional.


                   Às pessoas de boa vontade, especialmente aos cristãos de todas confissões e demais seguidores de outras confissões religiosas não cristãs, solicito que, em conjunto e não só isoladamente, que denunciemos o dinheiro estrangeiro que está financiando o trabalho das ONG’s favoráveis ao aborto. Que corajosamente se oponham aos projetos e às decisões que atentam contra a vida. Nesse sentido, no tempo presente em que a Campanha da Fraternidade de 2012 assume a saúde pública com o lema: “que a saúde se difunda sobre a terra”, apoiemos a votação de leis que proíbam a comercialização e o uso, no serviço público, de drogas abortivas, como a chamada “pílula do dia seguinte. Gravidez não é doença, é vida, é de interesse da saúde pública proteger a vida da mulher e de seu filho quanto ao atendimento ágil, acompanhamento de qualidade e medicamentos precisos às gestantes, sobretudo às mulheres pobres sujeitas à gravidez de risco. Por sua vez, aborto não é questão de saúde pública, aborto é morte e tal prática é irreversível.


                   Por intercessão de Nossa Senhora que, com seu “Sim”, colaborou na realização do plano de salvação, concebendo em seu puríssimo seio o Filho de Deus, pedimos a Deus, autor da Vida, que abençoe todos aqueles que acolhem, promovem e defendem a vida humana, sua inviolável dignidade. Amado povo diocesano de Assis, que o Bom Deus abençoe nossas famílias e proteja nossos nascituros e crianças da cultura da morte.


“A vida é um presente gratuito de Deus, dom e tarefa que devemos cuidar desde a concepção, em todas as suas etapas, até à morte natural, sem relativismos”. (DA 464).


                                                        Em Cristo Jesus,
                                                               Paz e Esperança!



                                                Dom José Benedito Simão
                                                    Bispo diocesano de Assis-SP 

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Um caso científico

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Os fatos da ciência são claros: desde as primeiras etapas do desenvolvimento, os nascituros estão vivos e são seres humanos completos. Portanto, cada aborto "bem sucedido" finaliza a vida de um ser humano vivo.

A comunidade médica fala

Em seu relatório sobre o aborto criminal de 1859, a Associação Médica Americana (AMA) compreendeu que "a existência independente e real de uma criança antes do nascimento como ser vivo" era uma realidade científica. Nada mudou desde aquela época. Durante os últimos 150 anos os doutores sabem que a vida começa na concepção.

Considere as seguintes citações, ditas por especialistas médicos no campo da embriologia:

"É a penetração do óvulo pelo espermatozóide e o resultado da mescla do material nuclear são a união que constitue a culminação do processo de fertilização. E marca o início da vida de um novo indivíduo. (Bradley M. Patten, Human Embryology, 3rd. ed., New York: McGraw Hill, 1968, page 43)

"Cada vez que uma célula de esperma e um óvulo se unem cria-se um novo ser vivo, o qual continuará vivendo até que alguma condição específica lhe cause a morte." (E. L. Potter and J. M Craig, Pathology of the Fetus and the Infant, 3rd ed., Chicago: Year Book Medical Publishers, 1975, page 7)
O Dr. Watson A. Bowes da Escola de Medicina da Universidade do Colorado fala claro quando diz: "O princípio de uma vida humana particular é, desde o ponto de vista biológico, um assunto simples - o princípio é a concepção". (Subcommittee on Separation of Powers to Senate Judiciary  Committee S-158, Report, 97th Congress, 1st Session, 1981)

Um relatório do Senado dos Estados Unidos de 1981 afirma: "Físicos, biólogos e outros científicos coincidem em que a concepção marca o início da vida de um ser humano - um ser que está vivo e que pertence à espécie humana. Há um acordo esmagador sobre esse ponto em incontáveis documentos médicos, biológicos e científicos." (Subcommittee on Separation of Powers, Ibid.)

Antes de defender o aborto, o primeiro presidente da Paternidade Planejada, o Dr. Alan Guttmacher ficou perplexo de que alguém questionara estes fatos científicos básicos.
"Tudo isto parece tão simples e evidente que é difícil imaginar uma época que não fora parte do conhecimento comum", escreveu ele em seu livro Life in the Making (A. Guttmacher, Life in the Making: The Story of Human Procreation, New York: Viking Press, 1933, p. 3)

Em resumo, uma vida humana começa na conclusão do processo de concepção.

Não obstante, Ronald Bailey da revista Reason insiste em que não obtemos um conhecimento real destes fatos científicos. Bailey argumenta que os seres humanos embrionários são biologicamente humanos somente no sentido de que cada célula do corpo leva o código genético completo, o que significa que cada uma de nossas células somáticas (corporais) tem tanto potencial para o desenvolvimento como qualquer embrião. Em poucas palavras, Bailey nos faria crer que não há diferença de tipo entre um embrião humano e cada uma de nossas células.

Esta é uma biologia incorreta. Bailey está cometendo o erro elementar de confundir partes com o todo. A diferença de tipo de cada uma de nossas células e um embrião humano é clara: as funções da célula de um indivíduo estão subordinadas à subsistência de um organismo maior, da qual são somente uma parte. O embrião humano, contudo, já é uma entidade humana completa; Robert George e Patrick Lee o dizem bem. Não tem sentido dizer que uma vez foste um esperma ou uma célula somática. Contudo, os fatos da ciência deixam claro que uma vez foste um embrião humano. "As células somáticas não o são, e os embriões humanos são organismos auto-integrais capazes de alcançar sua própria madurez como membros da espécie humana."

O Dr. Maureen Condic assinala que os embriões são seres humanos viventes "precisamente porque eles possuem as características particulares definidas da vida humana que se perdem no momento da morte - a capacidade para funcionar como um organismo coordenado, em vez de simplesmente um grupo de células vivas". Condic, professor assistente de neurobiologia e anatomia da Universidade de Utha, explica a importante distinção entre as partes individuais e os embriões humanos completos que Bailey passou por alto:

"A diferença fundamental entre um conjunto de células e um organismo vivo, é a capacidade de um organismo de atuar de maneira coordenada para manter a saúde continuada de um corpo como um todo. É precisamente esta capacidade a que se rompe no momento da morte, contudo a morte poderia ocorrer. Os corpos mortos poderiam estar cheios de células vivas, mas suas células não funcionam mais juntas, em uma forma coordenada."

Desde a concepção em diante, os embriões humanos claramente funcionam como organismos completos. "Os embriões não são somente conjuntos de células humanas, mas criaturas viventes com todas as propriedades que definem à qualquer organismo distinto de um grupo de células. Os embriões são capazes de crescer, madurar, manter um balanço fisiológico entre sistemas de vários órgãos, adaptar-se às circunstâncias e mudanças, e reparar danos. Simples grupos de células humanas não fazem nada disso em nenhuma circunstância."

Fonte: Un Caso por la Vida (Tradução livre)

sábado, 10 de dezembro de 2011

A ressurreição segundo a fé da Igreja

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Fonte: Visão Cristã - 07/12/2011


Dom Henrique Soares da Costa
Depois de termos visto a ressurreição no Novo Testamento, vejamos um pouco como a Igreja desenvolveu sua fé e esperança.

A convicção da Igreja antiga era esta: aqueles que morrem em Cristo estarão com Cristo após a morte. Tertuliano, no século III, afirmava de modo simples e profundo: “Nós cremos que Deus nos ressuscitará por meio do seu Cristo e nos tornará incorruptíveis, impassíveis e imortais”. É importante observar que os primeiros cristãos não se preocupavam tanto com o modo da ressurreição; não se perguntavam tanto se alma é ou não imortal. Nada disso! A preocupação era outra: estar com Cristo: eu estarei com Cristo e nele serei eu mesmo, plenamente feliz! São Justino, já no século II, tem uma frase estupenda: “Não penses que são cristãos aqueles que dizem que não há ressurreição dos mortos, mas dizem que no momento da morte as almas são recebidas no céu!” O que é que Justino deseja afirmar com estas palavras: é cristão não aquele que crê na imortalidade da alma. Isto os gregos pagãos e as religiões antigas pagãs também afirmavam! Cristão é o que acredita na ressurreição, ou seja, é quem afirma que nós estaremos com Cristo, em todo o nosso ser, numa vida totalmente transfigurada! O homem sobrevive à morte unicamente para estar com Cristo, para participar da sua vida ressuscitada, para estar na sua glória! Para o cristão nem é possível pensar um além sem Cristo: ele é nosso Além, nossa vida, nossa plenitude, nosso paraíso. Aqueles "paraísos" daquela novela "A Viagem", do filme sobre o Chico Xavier e outros mais são completamente pagãos e falsos!

Santo Irineu, também no século II, grande adversário dos hereges gnósticos, que negavam a ressurreição do corpo, insistia que o cristão alcança a salvação em todo o seu ser porque está ligado a Cristo, morto por nós, ele que virá na glória do Pai para nos ressuscitar e recapitular todas as coisas em si mesmo: é somente em Cristo que temos a imortalidade verdadeira e a incorruptibilidade! Tertuliano afirmava sem meias palavras: “A esperança dos cristãos é a ressurreição da carne. Somos cristãos por esta fé! Quem fala somente em alma imortal fala de uma ressurreição pela metade!” Belo Tertuliano! É cristão somente quem crê na ressurreição! Quem crê em reencarnação, rompe com a fé do Cristo, esvazia a fé cristã! Renega nossa esperança! E Tertuliano explica: “O nosso corpo não se torna outro, mas outra coisa. Ressuscitará, pois, realmente a carne: toda ela, a mesma e intacta! E isto graças ao fidelíssimo Mediador de Deus e dos homens, Jesus Cristo, que restituirá Deus ao homem e o homem e Deus, o espírito à carne e a carne ao espírito”. Escutemos ainda Justino: “Que é o homem, senão um ser composto de uma alma e um corpo? Será que a alma é o homem? Não! Ela é a alma do homem. Será, então, que o corpo é o homem? Não! Ele é chamado corpo do homem. Se, pois nenhuma destas duas coisas é por si mesma o homem, mas chama-se homem o composto de ambas, e se Deus chamou o homem à vida, então não chamou uma parte, mas o (homem) todo é que chamou”. E só mais uma vez Tertuliano: “Se a carne não houvesse de salvar-se, o Verbo de Deus não se teria encarnado. Nossos corpos, depositados na terra e nela dissolvidos, ressuscitarão a seu tempo, porque o Verbo de Deus dar-lhes-á a graça de erguerem-se para a glória de Deus Pai”.

Então, que fique bem claro: a Igreja sempre esperou na ressurreição: o homem, pela força do Espírito do Cristo ressuscitado, sairá da morte totalmente transformado, completamente configurado ao Senhor Jesus glorioso! Eis alguns textos de documentos da Igreja; bastam dois, como exemplo:

O Concílio Lateranense IV afirma: “Todos ressurgirão com os corpos de que agora estão revestidos, para receber, de acordo com suas obras boas ou más, uns, a pena eterna e outros, a glória eterna com Cristo”. Também o Concílio de Lião II: “A mesma sacrossanta Igreja romana crê firmemente e com firmeza afirma que, no dia do juízo, todos os homens comparecerão, com os seus corpos, ante o tribunal de Cristo e prestarão contas de suas ações”.

Se quisermos resumir a fé da Igreja na ressurreição, diremos o seguinte: (1) A ressurreição é um evento escatológico, ou seja, terá lugar no Último Dia, na Vinda de Cristo, no Dia do juízo, também chamado de fim dos tempos. (2) A ressurreição é um evento universal: ressuscitarão todos os homens ou todos os mortos. Tal ressurreição fundamenta-se no Novo Testamento, que espera uma ressurreição de justos e pecadores Já estudamos isto! (3) A ressurreição envolve todo o nosso ser. O conceito de ressurreição inclui uma identidade somática: os mortos ressuscitam com seus próprios corpos. Isto não significa que ressuscitaremos como somos atualmente. Seremos nós, com nossos corpos, mas completamente transformados em glória! Como Cristo, que era o mesmo, mas de um modo totalmente diferente. Lembram-se como os discípulos tinham dificuldades de reconhecê-lo?

Espero que tenha ficado claro qual é a nossa esperança: atravessando a morte, sermos totalmente, em todo o nosso ser, transformados em glória à imagem do Cristo glorificado! Como será isso? Pela força do seu Espírito Santo, o mesmo que o ressuscitou dos mortos e que já recebemos no Batismo. 

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Cristo e o anjo

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Fonte: Repórter de Cristo
"Ao mesmo tempo, Seus sentimentos eram oprimidos por intenso terror ante a iminente Paixão, como o provam as palavras que seguem no Evangelho: "Apareceu-Lhe então um anjo do céu para confortá-Lo" (cf. São Lucas 22, 43). Que grande foi Sua angústia que um anjo teve que vir do céu para dar-Lhe ânimo!

Ao ler esta passagem não posso deixar de assombrar-me ante à estupidez dos que afirmam ser de todo inútil buscar a intercessão de um anjo ou de um santo difunto. Vêm tais a dizer que podemos dirigir-nos com confiança à Deus mesmo; não só porque está mais perto de nós que todos os anjos e santos juntos, mas porque tem poder de nos dar mais, e deseja fazê-Lo assim mais que todos os santos do céu, qualquer que seja.

São argumentos tão triviais e infundados que só expressam o desgosto e a inveja de quem assim fala pela glória dos santos. Enquanto estes, por sua parte, devem estar com razão desgostosos com tais homens que se esforçam por demolir a homenagem de amor que damos aos santos e a assistência protetora que nos prestam. Por quê estes desavergonhados não raciocinam da mesma maneira nesta passagem, dizendo que o esforço do anjo por consolar à Cristo Salvador era completamente inútil e vão? Que anjo poderia ser tão poderoso como Cristo? Que anjo estava tão perto de Deus como O estava Ele, se Cristo é Deus? O certo é que, da mesma maneira que quis sofrer tristeza e angústia por nossa causa, quis também ter uma anjo para ser consolado. Refutava assim os argumentos sem sentido desses indivíduos, ao mesmo tempo que declarava ser homem verdadeiro: porque assim como os anjos O serviram como Deus ao triunfar sobre as tentações do demônio, também agora veio um anjo Lhe consolar como homem enquanto avançava para a morte."
(São Thomas More, Agonia de Cristo)

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Ginecologistas ingleses retiram a máscara

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Durante décadas, a propaganda abortista buscou demonstrar que o aborto não matava à uma criança, mas unicamente à um "grupo de células" que depois, em algum momento que não estava claro, se converteria em uma criança. Parece ser, contudo, que os promotores do aborto consideram que já não é necessária a propaganda e pode-se dizer as coisas como são.

Há uns dias, foram publicadas as Diretrizes sobre o cuidado das mulheres que desejam um aborto provocado, do Real Colégio de Obstetras e Ginecologistas do Reino Unido. É sabido que, dentro da Europa Ocidental, Inglaterra foi a pioneira na legalização do aborto. Por isso, o aborto foi convertido em algo adquirido e à que todo mundo está acostumado, assim que já não há que convencer ninguém de nada. Nestas diretrizes da associação oficial dos obstetras e ginecologistas britânicos, se mostra claramente que os médicos sabem que estão matando crianças que em nada se diferenciam de um bebê nascido...e não os importa em absoluto. Não sou que digo, o dizem os médicos. Vejamos os textos do próprio documento:

Recomendação 6.21:
"Deveria realizar-se um feticídio antes de realizar o aborto médico que se produza depois de 21 semanas e 6 dias de gestação, para assegurar que não haja nenhum risco de que o feto nasça com vida."

Dificilmente poderia dizer-se mais claro. Se o feto é suficientemente maior, há que matá-lo antes do aborto porque, de outro modo, poderia perfeitamente nascer vivo. E esse é um risco que não se pode correr. Não se colocava antes tanto cuidado em dizer "interrupção da gravidez" em lugar de aborto? Contudo, os ginecologistas britânicos deixam claro que interromper a gravidez não é o que se busca, porque em alguns casos poderia interromper-se a gravidez mas com uma criança nascida viva, assim que o que há que fazer é matar primeiro a criança. Isso é o que se quer e não outra coisa.

O documento segue dizendo:

"Provocar a morte do feto antes do aborto médico pode ter conseqüências benéficas de tipo emocional, ético e legal."

Esta frase é de uma desfaçatez assombrosa. Conseqüências emocionais benéficas? Claro, é compreensível. Se em lugar de matá-lo e tirá-lo da mãe fizerem o oposto, à essa mulher poderia resultar emocionalmente prejudicial  ver como liqüidavam à seu filho diante de seus olhos. Recorda também o documento, supondo que sem ver a ironia do assunto, que "em um estudo, 91% das mulheres indicou que preferia que o feto fosse morto" ao realizar a interrupção da gravidez.

Conseqüências legais benéficas? Pois sim, porque pela absurda contradição das leis abortistas, se se realiza o aborto e a criança nasce viva, matá-la é um delito, como que matá-la primeiro e logo realizar o aborto está permitido. Esquizofrenia jurídica da pior espécie. Quiçá o mais cínico seja o das conseqüências benéficas de tipo ético, porque quem pode ver uma diferença ética entre matar a criança dois minutos antes de tirá-la do seio de sua mãe ou dois minutos depois? Somente alguém que não se importa com a ética.

O ser humano se acostuma à tudo e até os atos mais horríveis engendram a indiferença com o tempo. Basta ver como se fala do assunto com uma naturalidade lúgubre:

"Quando há uma decisão de abortar uma gravidez depois de 21 semanas e 6 dias, deveria oferecer-se de forma rotineira o feticídio [...] se não se realiza o feticídio,  o feto poderia nascer vivo e sobreviver, o qual contraria a finalidade do aborto."

É chamativo que alguém possa usar a palavra feticídio e rotineiramente na mesma frase. Não nos dizia que o aborto era uma tragédia tristemente necessária para salvaguardar a saúde ou liberdade da mulher? Aqui, mudando, se dizem as coisas como são: se oferece rotineiramente matar o feto antes de interromper a gravidez. A tragédia se converteu em uma rotina.

Em qualquer caso, esta é a frase mais clara, com a qual a máscara cai definitivamente: "se não se realiza um feticídio, o feto poderia nascer vivo e sobreviver, o qual contraria a finalidade do aborto".
Reconhecem que a criança poderia nascer viva nesse momento, assim que há que matá-lo, porque "essa é a finalidade do aborto". A verdadeira finalidade do aborto não é interromper a gravidez, nem salvaguardar a saúde ou liberdade da mãe, nem nenhuma outra coisa mais que conseguir matar a criança.

Como realizar o feticídio? Muito fácil:
"O Real Colégio de Obstetras e Ginecologistas do Reino Unido recomenda uma injeção de cloreto de potássio [...] no ventrículo cardíaco. Poderia necessitar-se uma segunda injeção se não foi produzido uma assistolia em 30-60 segundos."

Ou seja, ao feto lhe injetam uma substância tóxica no coração, se o coração não parar, lhe injetam uma segunda injeção para assegura-se. Segundo dizem no mesmo documento, também é possível colocar no feto uma injeção dentro do tórax de digoxina ou outra injeção no coração de lidocaína. Essas suas técnicas têm o perigo de que "não provoquem sempre o falecimento do feto".

Em qualquer caso, nos asseguram que "o feto não pode experimentar dor em nenhum sentido" neste momento. Em primeiro lugar, é uma afirmação com duvidosa validez científica. Basta ver em que se baseiam: "está claro que as conexões da periferia do córtex cerebral não estão intactas antes das 24 semanas de gestação e, segundo crêem a maioria dos neurologistas, o cótex cerebral é necessário para a percepção da dor, podendo-se concluir que o feto não pode experimentar dor em nenhum sentido antes deste momento da gestação". Basta um conhecimento básico de lógica para entender que "não estão intactas" não é equivalente à "não existem", que a crença da maioria dos neurologistas não é um dado científico e que, desde logo, das duas premissas anteriores não se pode tirar nenhuma conclusão categórica com direito a levar o nome de científica. Em segundo lugar, outro mero exercício de lógica básica mostra que o assunto da dor é moralmente irrelevante neste caso, porque matar à alguém não é substancialmente mal ou bom dependendo da dor que se inflija, o grave é matar.
Ou alguém pensa que o assassinato de um adulto já não é delito se se faz enquanto dorme para que não sofra?

Creio que este documento mostra algo muito claro. Chegamos ao ponto em que promotores do aborto, ao menos em alguns países, crêem que podem tirar a máscara sem perigo. Não se envergonham de mostrar que tudo o que nos disseram para ir introduzindo pouco à pouco o aborto em nossos países era falso. Já não lhes importa.

Fonte: InfoCatólica (Tradução livre)